Na manhã desta sexta-feira (16), Dia Mundial da Alimentação, a horta comunitária do Conjunto do Café, zona norte de Londrina, foi local de um encontro sobre plantas que muitas vezes são tratadas como “mato”, mas que possuem um alto valor nutricional. As chamadas Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC) estão por todo lado nos canteiros cultivados por moradoras e moradores do entorno, onde palma, tanchagem, caruru, serralha e outras espécies convivem com as plantações mais comumente presentes na alimentação diária, como alfaces, espinafre e temperos variados. Com a visita da nutricionista e pesquisadora do assunto Kelly Franco, hortelões, clientes e pessoas interessadas puderam trocar experiências e saber mais sobre como plantas menos conhecidas podem compor uma rotina de alimentação saudável. A atividade integrou a Semana Municipal da Alimentação, promovida pela Secretaria Municipal de Agricultura (SMAA) e iniciada no dia 13 de outubro.
Autora de um livro sobre a terapia nutricional através das PANC, Franco é presidente do Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional. Ela visitou canteiros que são cuidados pelas moradoras Maria do Carmo dos Santos e Marina Lelis Ferreira, apontando aplicações possíveis para o uso das plantas e ouvindo atentamente a experiência das moradoras. A nutricionista refletiu que o tema desta Semana da Alimentação, “Inovar hoje para nutrir amanhã” precisa ser compreendido em diálogo com os saberes tradicionais. “Às vezes, a gente pensa que o inovar é apenas trazer novas tecnologias. Mas no mundo de hoje, a gente está precisando de um resgate histórico, porque as pessoas esqueceram de comer essas plantas. O Brasil é o país mais biodiverso do mundo, mas a nossa alimentação se concentra em arroz, trigo, milho, feijão”, apontou.
Franco acrescentou que estudos recentes mostram 12 espécies alimentícias que predominam na alimentação de 75% da população mundial. “E aqui no Brasil, a gente tem mais de 10 mil espécies comestíveis. Então, é isso que a gente tem que tentar trazer para a população, essa riqueza de valor nutricional, de compostos bioativos que fazem benefício para a saúde humana”, explicou.
Remédio que vem da terra
Há 15 anos, o terreno que acumulava sujeira próximo da casa de Maria do Carmo dos Santos foi transformado na horta que hoje chama a atenção pela diversidade da produção. Desde o início, ela participa do cultivo, e hoje frequenta a horta “sete dias por semana, toda manhã”, contou. Além de manter mente e corpo sempre em exercício, a atividade ainda garante boa alimentação e geração de renda com a venda das verduras. “Até domingo eu venho na parte da manhã, porque eu não gosto de deixar os clientes na mão, e eles passam aqui para pegar salada. E nós ficamos felizes, porque eles vêm comprar na horta, que é natural. É gratificante”, avaliou.
Da horta, também saem remédios para os problemas de saúde mais corriqueiros. “A gente está sempre aprendendo. Hoje, só de saber que o psyllium (uma fibra solúvel indicada para regulação do intestino) sai da tanchagem, eu ganhei o dia. Eu sabia que da folha a gente faz chá e é maravilhoso para curar infecção de urina. Aqui tem bastante ervas, então a gente às vezes acaba até se curando de muitas coisas com ervas daqui mesmo”, contou.
O cultivo da horta vai para a mesa de boa parte da vizinhança, que abastece a cozinha com verduras cultivadas perto de casa. É o caso de Sebastiana Gomes, que visita o espaço quinzenalmente. “Aqui não tem veneno, só legumes e verduras de boa qualidade. E também fica próximo da minha casa e não tem que enfrentar fila”, comentou.
Restaurante popular também teve atividades
No centro da cidade, os frequentadores do Restaurante Popular receberam orientações sobre como escolher a melhor alimentação, a partir da composição nutricional dos ingredientes. A nutricionista do Sesc Vanessa Scacco esteve acompanhada das estudantes da Unifil Larissa Evellin Bueno e Pietra Petrus Bonjovanni da Silva, para a atividade educativa que utiliza como suporte peças que reproduzem alimentos.
“Montamos dois tipos de prato, um de café da manhã ou lanche intermediário, e outro de almoço e jantar. A partir disto, a gente consegue mostrar como que seria a composição de um prato ideal, conversar sobre como os pratos são montados em casa, o que a pessoa costuma comer, e se ela tem alguma dúvida sobre a composição. Também é possível pensar em opções de substituição”, comentou Scacco. Ela também expôs uma maleta que aponta a quantidade de gordura, sódio, carboidrato e fibra de alguns alimentos consumidos com frequência pela população. No período da tarde, uma oficina de confecção de saladas no pote está sendo ministrada no mesmo espaço, como parte da programação da Semana Municipal da Alimentação.
Atividades seguem na próxima semana
De acordo com a diretora de Abastecimento da SMAA, Priscila Magarotto, esta semana reforça o compromisso contínuo de Londrina com o direito a uma alimentação adequada e saudável. “A integração entre o poder público, universidades e outras entidades parceiras mostra que a gente está construindo um futuro mais seguro e nutritivo para a nossa população”, disse. A gestora lembrou que as atividades continuam na próxima semana, até quarta-feira (21).
Na segunda-feira (19), às 9h, o Centro de Convivência da Pessoa Idosa (CCI) da região norte receberá uma oficina sobre hortas verticais. No mesmo dia, o Restaurante Popular terá orientações nutricionais com a professora e doutora Patrícia Pires e alunos de Nutrição da UEL. No último dia de programação, terça-feira (20), elas visitam os alunos do Instituto Londrinense de Educação de Surdos (ILES), das 14h às 16h.
Também na terça-feira (2), às 10h e às 15h haverá distribuição de lanches naturais para os alunos durante contações de histórias nas Escolas Municipais Santos Dumont e Dr José Hosken De Novaes, nos jardins Industrial e Bandeirantes.
A Semana Municipal da Alimentação é realizada pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (SMAA), com o apoio das Secretarias Municipais de Cultura (SMC), Educação (SME), Ambiente (SEMA), Saúde (SMS), Idoso (SMI) e Assistência Social (SMAS). Além de instituições como SESC, CEASA, Universidade Estadual de Londrina (UEL), Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), IDR-Paraná e outras.