As hepatites virais continuam sendo um dos maiores desafios de saúde pública no Brasil. Na maioria dos casos, a doença evolui de forma silenciosa, sem sintomas por anos, o que dificulta o diagnóstico precoce e aumenta o risco de complicações como cirrose e câncer de fígado. O alerta ganha força nesta terça-feira (28), quando é celebrado o Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, data que marca o encerramento da campanha Julho Amarelo.
Segundo especialistas, identificar a infecção precocemente e iniciar o tratamento pode reduzir significativamente os danos ao fígado e aumentar as chances de cura em alguns tipos da doença.
As hepatites provocam inflamação no fígado e podem ser causadas pelos vírus A, B, C, D e E. No Brasil, os tipos A, B e C são os mais frequentes.
O principal problema é que, nas fases iniciais, a doença costuma não apresentar sintomas. Quando aparecem, os sinais geralmente são confundidos com problemas comuns, como:
Nos casos mais avançados, podem surgir pele e olhos amarelados, urina escura, fezes claras, dores abdominais e coceira intensa.
"O fígado sofre em silêncio. Muitas pessoas convivem com a doença durante anos sem perceber", explica o hepatologista Adriano Moraes, diretor da Sociedade Brasileira de Hepatologia (SBH).
A recomendação dos especialistas é que toda pessoa realize pelo menos uma testagem para hepatites B e C ao longo da vida, especialmente quem tem mais de 40 anos.
O exame é ainda mais importante para pessoas que:
O diagnóstico precoce permite iniciar o tratamento antes do surgimento de lesões irreversíveis no fígado.
A vacinação continua sendo a principal forma de prevenção contra a hepatite B e também protege contra a hepatite A em grupos específicos.
Além da imunização, médicos recomendam:
As hepatites B e C podem ser transmitidas da mãe para o bebê durante a gestação ou no parto.
Por isso, exames para detectar essas infecções fazem parte da rotina do pré-natal. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), o diagnóstico precoce permite adotar medidas para reduzir o risco de transmissão ao recém-nascido.
Entre os tipos de hepatite que podem acometer gestantes, apenas a hepatite B possui vacina.
Dados do Ministério da Saúde mostram que o Brasil confirmou 826.292 casos de hepatites virais entre 2000 e 2024.
A hepatite C responde pelo maior número de notificações, com 41,5% dos casos, seguida pela hepatite B (36,6%) e pela hepatite A (21,2%).
No mesmo período, quase 50 mil pessoas morreram por causas diretamente relacionadas às hepatites virais, sendo a hepatite C responsável por mais de 75% dos óbitos registrados.
Apesar da oferta gratuita de vacina e exames pelo Sistema Único de Saúde (SUS), especialistas apontam obstáculos para eliminar a doença no país:
A meta do Ministério da Saúde é eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, ampliando a vacinação, a testagem e o acesso ao tratamento em todo o país.