Obra de R$ 37 milhões segue abandonada em Londrina e Câmara cobra retomada imediata
Comissão de Fiscalização da Câmara de Londrina vistoriou obras da Avenida Constantino Pialarissi
Fernando Cremonez/CML
A obra de duplicação, pavimentação e drenagem da Avenida Constantino Pialarissi, na zona sul de Londrina, segue paralisada mesmo após sucessivos adiamentos e já apresenta sinais de deterioração antes da conclusão. O contrato, que atualmente ultrapassa R$ 37 milhões após aditivos, foi alvo de vistoria da Comissão de Administração, Serviços Públicos, Fiscalização e Transparência da Câmara Municipal na sexta-feira (8).
Durante a inspeção, os vereadores Chavão (Republicanos), Marinho (PL) e Régis Choucino (PP) encontraram o canteiro sem máquinas ou trabalhadores, apesar de a retomada das atividades estar prevista para 15 de abril deste ano. A comissão também identificou problemas estruturais em trechos já executados, como afundamento no asfalto, tubulações deslocadas pela chuva e partes da via parcialmente pavimentadas.
A intervenção liga a região da Universidade Estadual de Londrina (UEL) aos condomínios da zona sul da cidade. O contrato original, firmado com o Consórcio EP Portal de Versalhes III, foi licitado em agosto de 2024 por R$ 31 milhões, mas já recebeu aditivos e alcançou R$ 37.040.554,98. Segundo o Portal da Transparência, apenas 46,35% da obra foi executada até o momento.
Os trabalhos foram interrompidos pela Prefeitura em dezembro de 2025 devido a uma série de entraves técnicos e jurídicos, entre eles pendências ambientais, desapropriações, necessidade de remanejamento de redes da Sanepar e impactos provocados pelo excesso de chuvas.
Em documento encaminhado ao município no último dia 4 de maio, o consórcio responsável afirmou que a retomada depende da formalização de um novo termo aditivo contratual, já que o prazo vigente expirou em dezembro do ano passado. A empresa também alegou que ainda aguarda solução definitiva para questões ambientais, desapropriações, ajustes de projetos e interferências de concessionárias.
Já a Secretaria Municipal de Obras rebateu os argumentos. Em despacho administrativo assinado pelo secretário Otavio Vitor Gomes, a pasta informou que parte das pendências já foi solucionada, incluindo a aprovação de projetos junto à Copel e adequações de acessibilidade na UEL. Segundo o município, o licenciamento ambiental depende apenas da entrega de documentação técnica pela própria construtora.
Sobre o remanejamento das redes da Sanepar, a Prefeitura informou que a companhia pretende iniciar os trabalhos somente após o retorno das obras, para evitar vandalismo nas tubulações expostas.
Após a vistoria, o presidente da comissão, vereador Chavão, classificou a situação como “abandono total” e demonstrou preocupação com a deterioração precoce da estrutura.
“É total abandono, do início ao fim. Tem trecho asfaltado apenas de um lado da via, enquanto o outro permanece sem pavimentação. Nós não podemos aceitar isso”, afirmou o parlamentar.
A comissão deve convocar representantes da construtora e da Secretaria de Obras para prestar esclarecimentos na Câmara Municipal. Os vereadores também irão solicitar o fechamento imediato de uma caixa de contenção aberta no local, considerada risco para moradores e motoristas.