O governador Carlos Massa Ratinho Junior participou nesta quarta-feira (04/03) da terceira edição do Diálogo ABBC, promovido pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC), em São Paulo. Ele falou para um público formado principalmente por especialistas no sistema financeiro.
Logo no início, o governador destacou que o primeiro passo adotado pela sua gestão em relação à economia foi a identificação das potencialidades de cada região do Paraná. Disse que o mesmo deveria ser feito em nível nacional, para que o Brasil encontre e explore melhor suas vocações. O mesmo vale para a construção de políticas públicas de longo prazo, item importante no planejamento estadual.
“Os países que deram grandes saltos econômicos e sociais são aqueles que souberam identificar suas vocações. No Paraná, fomos buscar aquilo que sabemos fazer bem e estruturamos políticas para transformar essas vantagens em crescimento econômico. Temos que explorar bem aquilo que sabemos fazer de melhor”, afirmou.
Dentro desse raciocínio, ele sugeriu o agronegócio como potencial que precisa ser melhor explorado no país, usando como exemplo o que vem sendo feito no Paraná. Ratinho Junior ressaltou a estratégia adotada de industrializar a cadeia do agronegócio, em um modelo construído em parceria com as cooperativas do Estado, que estão entre as maiores do país. O objetivo de transformar o Estado no supermercado do mundo caberia também para o Brasil como um todo. “Mas não basta produzir alimentos. Tem que industrializar, exportar produtos com maior valor agregado e gerar riqueza dentro do País. Esse é o caminho para aumentar renda, empregos e competitividade internacional”, resumiu o governador.
Com Curitiba na liderança nacional, Paraná tem 244 cidades com saldo positivo de empregos em 2026
No Paraná, a iniciativa transformou o perfil da produção paranaense, que passou de fornecedora apenas de matéria-prima a polo de agregação de valor. Como resultado, apesar de ser o segundo maior produtor de grãos do país, o Paraná registra déficit no mercado interno, um reflexo da elevada demanda gerada por sua própria agroindústria de carnes, lácteos e alimentos processados.
No encontro, Ratinho Junior apresentou os principais eixos da gestão estadual, enfatizando os investimentos em infraestrutura e as iniciativas voltadas à melhoria do ambiente de negócios. No Estado, mais de mil atividades não precisam de alvará e o tempo médio de abertura de empresas é de cerca de apenas oito horas. Nesse tópico, o governador reforçou que para atrair multinacionais e novos empreendimentos de peso é preciso ter primeiro segurança jurídica e econômica.
“Nenhum investidor vai trazer seu negócio para um mercado em que não se sinta protegido juridicamente. É preciso diminuir a burocracia. Quando o Estado para de atrapalhar quem quer produzir, a economia cresce. No Paraná, somos os líderes do ranking nacional de liberdade econômica”, falou Ratinho Junior. “Assim conseguimos quase R$ 400 bilhões em novos investimentos privados no Paraná em sete anos, o que nos fez passar da quinta para a quarta maior economia do Brasil”, complementou.
Outro ponto apontado como potencial aliado para a busca de novos investimentos e fortalecimento da economia é a exploração de novas fontes de energia e a universalização do serviço de qualidade. O Paraná é uma referência em uso de fontes renováveis de produção energética, acumulando resultados expressivos na transição para uma economia de baixo carbono por meio de políticas públicas voltadas à geração de energia limpa no campo, nas cidades e na indústria.
A ampliação da matriz solar e de biogás, a expansão das Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) e a instalação do maior parque eólico da Região Sul consolidam o protagonismo paranaense em sustentabilidade e segurança energética. Uma agenda que tem se traduzido em investimentos e inovação tecnológica.
O programa RenovaPR, por exemplo, é um dos principais marcos da política estadual de incentivo à energia limpa. Voltado à geração de energia solar e biogás no campo, o programa já mobilizou cerca de R$ 5,8 bilhões em investimentos e resultou na instalação de 38 mil novas usinas de geração distribuída em propriedades rurais. O volume equivale a mais de 1 gigawatt de potência instalada – energia suficiente para abastecer uma cidade de 2 milhões de habitantes.
INFRAESTRUTURA – A modernização da infraestrutura não se restringe à geração de energia. Essa medida também foi uma das principais apostas para transformar o Estado em centro logístico da América do Sul, com o objetivo de atrair novos empreendimentos, especialmente internacionais. O Porto de Paranaguá se tornou referência nacional de eficiência, classificado como o melhor do país por seis anos consecutivos pelo Ministério de Portos e Aeroportos (MPor). Em 2025, superou pela primeira vez a marca de 70 milhões de toneladas movimentadas.
O local já tem melhorias previstas que vão impactar diretamente nestes números. O Moegão está prestes a entrar em funcionamento, podendo receber até 24 milhões de toneladas de grãos e farelos por ano. A construção do píer em T aumentará a capacidade de exportação, movimentando até 8.000 toneladas por hora. E a concessão do canal da Galheta por 25 anos vai culminar na chegada de navios de maior porte.
Ainda com relação ao transporte, a concessão dos aeroportos de Curitiba (Afonso Pena e Bacacheri), de Foz do Iguaçu e de Londrina contribuíram para impulsionar a economia e o turismo. O turismo bateu recorde em 2025, com 1.064.416 turistas internacionais passando pela região, fazendo do Paraná a quarta principal porta de entrada de turistas estrangeiros no Brasil. Com a criação do Viaje Paraná, órgão oficial de fomento do turismo, o Estado tem participado de feiras e eventos no mundo todo para apresentar seus atrativos a potenciais viajantes e investidores. O turismo corresponde a cerca de 8% do PIB estadual.
DIÁLOGO ABBC - A participação do governador foi acompanhada por presidentes e diretores de instituições financeiras associadas; representantes do Banco Central do Brasil, Ministério da Fazenda e Congresso Nacional; economistas, analistas e formadores de opinião especializados no sistema financeiro.
“Dialogar com o setor produtivo é fundamental para gerar desenvolvimento econômico. A ABBC tem papel fundamental para o País, reunindo bancos de todos os portes e estados. Ouvir os empresários é importante para estabelecer pontes. Apresentei um pouco do Paraná, as iniciativas que implementamos e a cultura que ajudou o Estado a se tornar a quarta maior economia do Brasil”, declarou Ratinho Junior.
“O debate qualificado com gestores públicos permite ao setor avaliar com maior precisão cenários fiscais e regulatórios, aprimorar a gestão de riscos e contribuir de forma técnica para a construção de políticas públicas que promovam estabilidade e crescimento sustentável”, destacou o CEO da ABBC, Leandro Vilain.
O Diálogo ABBC é uma iniciativa institucional lançada em 2025 pela Associação Brasileira de Bancos (ABBC). O evento reúne autoridades, executivos do setor bancário e representantes regulatórios para debater temas centrais da agenda econômica, fiscal e regulatória do País, promovendo a troca de ideias e informações entre os líderes públicos e os integrantes do sistema financeiro brasileiro.
O objetivo da ABBC, fundada em 1983, é atuar na interlocução com o Banco Central e o Congresso Nacional, com foco em inovação, competitividade, inclusão financeira e segurança regulatória. Atualmente, a associação representa mais de 115 instituições financeiras. A lista inclui bancos de pequeno e médio porte; cooperativas de crédito; fintechs; Sociedades de Crédito Direto (SCD) e de Empréstimo entre Pessoas (SEP); e instituições de pagamento e financeiras digitais.