Empresários aprendem a usar a IA nos negócios; confira as dicas
Workshop apresentou aplicações da inteligência artificial para aumentar produtividade, reduzir custos e criar novas oportunidades
Isabella Mayer/SECOM
A inteligência artificial já faz parte da rotina das pessoas e também pode se tornar uma importante ferramenta para quem empreende. Foi esse o foco do workshop IA na prática: Soluções Inteligentes para o seu negócio, realizado nesta quarta-feira (07/10), na Agência Curitiba, dentro da programação do Mês do Empreendedor, iniciativa da Prefeitura de Curitiba. A capacitação mostrou, com exemplos práticos, como a tecnologia pode ser aplicada em tarefas administrativas, financeiras, comerciais e de vendas.
Realizado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação e Sebrae/PR, o encontro foi conduzido pelo empresário Alan Reinaldin, que atua com empreendedorismo digital e capacitação de empresários.
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação, Sérgio Bento, a inteligência artificial pode contribuir diretamente para melhorar a eficiência dos negócios, desde que seja utilizada de maneira adequada.
“A inteligência artificial, na prática, pode ser um vetor de eficiência e eficácia para as empresas. O importante é conhecer as possibilidades que a tecnologia oferece e aprender a utilizá-la de forma adequada para melhorar os negócios”, afirma Bento.
“Nosso compromisso é apoiar quem empreende, fortalecer os negócios e tornar Curitiba um ambiente cada vez mais favorável ao empreendedorismo. A inovação está presente em todos os setores, e a inteligência artificial é uma grande aliada nesse processo, ajudando os empreendedores a aumentar a produtividade, desenvolver seus negócios e identificar novas oportunidades de crescimento”, destaca Letícia Justus, presidente da Agência Curitiba de Desenvolvimento e Inovação'
O primeiro passo é encontrar um problema para resolver
Para Alan Reinaldin, um dos principais erros de quem começa a utilizar inteligência artificial é enxergá-la apenas como uma ferramenta para fazer perguntas e receber respostas. O empreendedor pode começar de uma maneira muito mais simples: olhando para dentro do próprio negócio e identificando tarefas que consomem tempo, exigem trabalho repetitivo ou poderiam ser realizadas de maneira mais eficiente.
“Quando você começa a adotar a IA, consegue reduzir custos e aumentar a produtividade dentro do seu negócio”, explica. Durante o workshop, Alan mostrou, por exemplo, como a inteligência artificial pode ser utilizada para construir relatórios financeiros que poderiam levar semanas para serem elaborados manualmente. A tecnologia também pode auxiliar na elaboração de propostas comerciais para clientes.
A lógica, segundo ele, é começar com uma necessidade real. Em vez de perguntar simplesmente “o que a IA pode fazer pelo meu negócio?”, o empreendedor pode se perguntar: “qual tarefa hoje toma muito do meu tempo e poderia ser feita de uma maneira mais rápida ou organizada?”.
Da administração às vendas
As possibilidades de aplicação são variadas. Uma empresa pode utilizar a IA para organizar informações, analisar dados, produzir relatórios, preparar propostas comerciais e apoiar processos de vendas. O empreendedor também pode criar diferentes agentes dentro de uma ferramenta de inteligência artificial, cada um direcionado para uma função específica. Um pode auxiliar na produção de textos, outro no design, outro na análise de informações e outro em determinadas tarefas operacionais.
Para pequenos negócios, isso pode representar uma forma de ampliar a capacidade de execução sem necessariamente aumentar a estrutura da empresa. “Às vezes você precisa de uma pessoa de design, uma redatora, uma assessora de imprensa ou um gestor de tráfego. Quando você contrata uma inteligência artificial, consegue construir agentes dentro dela, cada um com a sua especialidade”, explica Alan. Isso não significa que a tecnologia simplesmente substitua profissionais. A proposta é utilizar a IA para apoiar as pessoas e permitir que elas dediquem mais tempo a atividades que dependem de criatividade, relacionamento, estratégia e tomada de decisão.
Chat é só o começo
O ChatGPT e outras ferramentas semelhantes são, para muita gente, a porta de entrada para a inteligência artificial. Mas existem outras possibilidades. Alan chama atenção para as chamadas inteligências artificiais conversacionais, que podem ser utilizadas principalmente por profissionais que passam boa parte do dia conversando com outras pessoas.
Um vendedor, por exemplo, pode utilizar esse tipo de tecnologia para registrar e analisar conversas realizadas com clientes. Em vez de depender exclusivamente de anotações ou de um roteiro prévio, a ferramenta pode transformar uma conversa natural em informações que posteriormente podem ser utilizadas pelo profissional.
“A inteligência conversacional se adapta mais às pessoas que conversam com muitas pessoas durante o dia. Um vendedor, por exemplo, pode utilizar a tecnologia para captar a própria conversa natural e, a partir dela, extrair informações e insights”, explica.