Material descartado em cirurgias no Hospital de Maringá vira bolsas para pacientes

Projeto Ciclo Reverso reaproveita manta de instrumentos cirúrgicos para confeccionar ecobags, estojos e outros itens

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Rafael Macri/PMM

Um material que antes seguia para o descarte depois de cumprir sua função nas cirurgias agora começa um novo ciclo dentro do Hospital Municipal de Maringá. A partir do projeto 'Ciclo Reverso', mantas usadas para embalar instrumentos e caixas cirúrgicas são reaproveitadas na confecção de ecobags, estojos e outros itens que serão entregues a pacientes que precisam de apoio durante a internação.

A ideia nasceu de uma inquietação da enfermeira Jéssica Marciano, que trabalha na área cirúrgica e acompanha de perto a quantidade de materiais descartados após os procedimentos. O incômodo com esse desperdício fez surgir a pergunta sobre o que poderia ser feito para dar outro destino ao material. “Quando a gente trabalha todos os dias com cirurgia, começa a perceber essas coisas com outros olhos. Eu pensava que aquele material tinha qualidade, era resistente e poderia servir para alguma coisa. Foi aí que comecei a buscar uma maneira de reaproveitá-lo, mas eu sabia que precisava de alguém para transformar essa ideia em realidade.”

O material utilizado é a manta SMS, semelhante ao TNT, usada na área da saúde para a embalagem e proteção de instrumentos e caixas cirúrgicas. Depois de cumprir essa finalidade, parte desse material é separada para o projeto e encaminhada ao curso de costura realizado no Centro Social Urbano (CSU), da Secretaria Municipal de Assistência Social, Políticas sobre Drogas e Pessoa Idosa (SAS). No local, as alunas confeccionam as peças que retornam ao hospital.

As bolsas, estojos e outros produtos são destinados aos próprios pacientes. A equipe hospitalar identifica, durante a internação, pessoas que precisam guardar roupas, documentos, itens de higiene ou outros pertences pessoais. A partir dessa necessidade, os materiais confeccionados são entregues.

Para Jéssica, acompanhar o caminho do material que iria para o descarte e agora ele retorna às mãos de um paciente tornou concreto algo que começou como um objetivo. “Ver isso acontecendo é um sonho. Eu imaginei que seria possível, mas quando a gente vê o material que seria descartado sendo transformado em alguma coisa que vai chegar para um paciente, que vai ajudar alguém que está aqui internado, é muito emocionante. É a sensação de que aquela ideia realmente ganhou vida."

A estudante Rayanny Bortoletti, de 17 anos, participa do curso de costura do CSU e encontrou na atividade uma forma de se aproximar ainda mais da avó, que também costura. Quando soube que o trabalho desenvolvido no curso teria como destino pacientes do Hospital Municipal, ela decidiu se dedicar ainda mais à produção. Mesmo sem ter familiaridade com a manta utilizada nas peças, buscou aprender novas técnicas para trabalhar com o material e entregar um bom resultado. “Eu comecei o curso porque via minha vó costurando, e isso acabou aproximando muito a gente. Quando soube que poderia usar o que estava aprendendo para ajudar outras pessoas, quis me dedicar ainda mais. O material era diferente do que eu conhecia, então estudei bastante e procurei aprender como trabalhar com ele da melhor forma. Foi muito gratificante ver o resultado e saber que aquilo que eu fiz vai fazer diferença para alguém. E saber que minha vó ficou orgulhosa de mim tornou tudo ainda mais especial.”

Para a vice-prefeita Sandra Jacovós, o projeto também representa uma oportunidade de olhar para as necessidades do outro. “A gente nunca sabe o que uma pessoa está vivendo ou o que ela está precisando naquele momento. Por isso, ajudar precisa fazer parte da nossa rotina. Às vezes, uma atitude que parece pequena para quem faz tem um significado enorme para quem recebe. Quando a gente olha para o outro com atenção e disposição para ajudar, cria uma corrente de cuidado que pode chegar muito longe."

O secretário da SAS, Leandro Bravin, conta que a proposta chegou ao curso de costura como um desafio e foi recebida com entusiasmo pelos participantes. “Para o curso, começou como um desafio: pegar um material diferente e descobrir como transformar aquilo em peças que pudessem ser utilizadas. As participantes abraçaram a ideia, aprenderam, treinaram e foram encontrando maneiras de trabalhar com o material. E saber que, enquanto desenvolvem uma nova habilidade, também estão fazendo algo que vai ajudar outra pessoa torna esse aprendizado ainda mais significativo.”