Operação mira família do Paraná suspeita de enviar fuzis para o Rio; veja onde
Polícia Civil cumpre 28 ordens judiciais e investiga transportadora usada para esconder armas e drogas em cargas lícitas
Divulgação/PCPR
Uma operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) mira, nesta sexta-feira (18), uma família suspeita de usar uma transportadora de fachada para enviar fuzis e drogas a comunidades do Rio de Janeiro. Ao todo, são cumpridos 28 mandados judiciais em cidades do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro, além do bloqueio de contas e da apreensão de veículos ligados aos investigados.
A operação cumpre 14 mandados de prisão preventiva e 14 de busca e apreensão em Maringá, Foz do Iguaçu, São Miguel do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu, no Paraná, além de endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Justiça também determinou o bloqueio de 21 contas bancárias e aplicações financeiras, de até R$ 10 milhões, e medidas para garantir a apreensão de 19 veículos.
Segundo a investigação, os materiais eram escondidos em meio a cargas lícitas transportadas por caminhões. Os veículos também eram acompanhados por chamados “batedores”, que seguiam à frente pelas rodovias para informar aos motoristas sobre a localização de postos da Polícia Rodoviária Federal e de viaturas policiais.
Família teria criado empresas com identidades falsasDe acordo com a PCPR, o líder do grupo teria utilizado uma identidade falsa para criar a transportadora, abrir contas bancárias, registrar veículos e realizar negócios. Um dos filhos teria adotado estratégia semelhante e, também com uma identidade falsa, criado outras duas empresas.
Uma dessas empresas foi registrada na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, endereço que também é alvo de busca e apreensão nesta sexta-feira. As identidades dos envolvidos não foram divulgadas.
A investigação aponta que o pai, a companheira e quatro filhos exerciam funções específicas dentro da estrutura, envolvendo a logística das cargas e a movimentação dos recursos. O grupo é investigado por tráfico interestadual de drogas, comércio e transporte de armas, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
Investigação começou após prisão de traficanteA apuração teve início em fevereiro de 2026, depois que a PCPR teve acesso a provas obtidas durante a prisão de um traficante, em dezembro de 2025. Conforme a polícia, ele seria responsável pelo transporte de grandes carregamentos de drogas e armas de Curitiba para comunidades do Rio de Janeiro dominadas por organizações criminosas.
Em 18 de junho, policiais civis apreenderam cerca de 459 quilos de cocaína e crack em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba. No mesmo local foram encontrados um fuzil calibre 5,56 mm, nove pistolas calibre 9 mm e 15 peças desmontadas de fuzil calibre 7,62 mm.
Segundo a PCPR, dois integrantes da família faziam a transferência dos materiais de um caminhão para um veículo utilitário quando foram abordados.
Onze dias depois, em Ourinhos (SP), outro carregamento ligado ao grupo foi apreendido pela Polícia Militar paulista. A ação resultou na apreensão de 18 fuzis, carregadores e uma quantidade de drogas não detalhada pela polícia.
Para os investigadores, as duas apreensões mostraram que o grupo conseguia substituir rapidamente as cargas interceptadas e reforçaram a necessidade das medidas judiciais cumpridas nesta sexta-feira.