Torcida do Athletico e do Corinthians se despedem de Jackson Nascimento

O jogador morreu nesta quarta (9), aos 102 anos. Ele ficou conhecido por ter sido artilheiro no Athletico Paranaense (1944/57) e meia no Corinthians (1950/52)

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Torcida do Athletico e do Corinthians se despedem de Jackson Nascimento
Divulgação

Os torcedores do Athletico Paranaense e do Corinthians se despedem nesta quarta-feira (9/9) do jogador Jackson Nascimento, um craque cuja história atravessa gerações. Nascido em 1924, mesmo ano em que o Athletico foi fundado, ele construiu uma trajetória marcada por gols, títulos e momentos memoráveis. 

No Athletico, vestiu a camisa rubro-negra de 1944 a 1957. Foram 215 jogos e 150 gols, marca que o coloca como o segundo maior artilheiro da história do time. Seu nome ficou eternizado por fazer parte do lendário time de 1949, conhecido como Furacão de 49 e que deu origem ao apelido pelo qual o clube é reconhecido até hoje.

A relação com o Athletico atravessou décadas. Em 2024, quando completou 100 anos, Jackson retornou à Arena da Baixada para receber uma homenagem do clube e da torcida. No gramado onde tantas vezes marcou gols, voltou a balançar as redes de maneira simbólica e emocionante.

No Corinthians
Sua história também foi escrita em preto e branco. Entre 1950 e 1952, defendeu o Corinthians por duas temporadas, somando 57 jogos e 35 gols. Foi campeão paulista pelo clube e integrou o ataque que marcou 103 gols na conquista estadual de 1951. Jackson era o jogador mais velho entre todos os atletas que já haviam vestido a camisa corintiana e, até sua morte, o último remanescente vivo.

Para quem o conheceu fora dos campos, a imagem de ídolo ganha outro sentido. Para o jornalista e comentarista esportivo Robson Delazzari, em uma época sem redes sociais, Jackson conseguiu fazer o que hoje podemos ter dificuldade: compartilhar afeto. 

“Muitíssimo antes do mundo de hoje, de rede social, em que os jogadores são praticamente inacessíveis, naquela época o futebol profissional tinha começado nos anos 40, 50, há pouquíssimo tempo. Era muito comum encontrá-lo conversando na Rua XV, na Boca Maldita, no Centro”, disse Delazzari.

Carneiro Neto, jornalista esportivo e escritor, lamentou a perda do grande "Janjão”. “Perdemos o Jackson do Nascimento, um dos maiores jogadores da história do futebol paranaense, que gloriosamente viveu 102 anos. Foi um momento muito bonito e me deixou muita saudade o Jackson, o grande Janjão”, comentou.

Família
Leticia Klein, que além de ídolo tinha Jackson como avô, compartilha um pouco da vida do jogador longe dos campos. “Um avô que era pai, amigo, foi bisavô também das minhas filhas. Sempre tinha uma palavra quando você estava passando por alguma dificuldade, uma palavra de consolo, de amor, eu lembro assim do meu avô", contou ela. "Todos os dias, por muitos anos, ele gostava de ir ao Parque Barigui, às 11 horas da manhã. Lembro também dele encontrar os amigos e ir na Toca no Clube Curitibano, onde foi diretor, onde ele gostava de promover jantares e reuniões entre amigos.”


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