Operação mira advogada em investigação sobre esquema de R$ 3,8 bilhões de ICMS

Gaeco cumpriu mandados em Londrina e Cambé durante ação que apura esquema em créditos tributários

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Divulgação/MPPR

Uma advogada de Londrina, no Norte do Paraná, foi alvo de uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) na manhã desta quarta-feira (15), durante investigação que apura um esquema de fraude tributária estimado em R$ 3,8 bilhões em créditos irregulares de ICMS.

As equipes cumpriram mandados de busca e apreensão em um condomínio de alto padrão na zona sul de Londrina. A ação faz parte da Operação Distrato, coordenada pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP), que também realizou diligências em Cambé e em diversas cidades paulistas.

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), a advogada Mayra de Paula é investigada por suposta participação na comercialização de créditos tributários sem respaldo econômico, utilizados por empresas para reduzir ilegalmente o valor do ICMS devido ao Estado de São Paulo.

Ao todo, a Justiça autorizou 38 mandados de busca e apreensão. Não houve expedição de mandados de prisão.

De acordo com os investigadores, escritórios de advocacia, consultorias e empresas intermediadoras ofereciam créditos tributários com desconto a empresas paulistas, apresentando as operações como planejamentos tributários regulares. Na prática, porém, os créditos não possuíam lastro econômico e eram usados para diminuir indevidamente o imposto a ser recolhido.

As apurações apontam ainda que empresas de fachada, inativas ou sem estrutura operacional emitiam documentos fiscais para conferir aparência de legalidade às transações. Contratos, procurações, apólices e documentos falsos atribuídos à própria administração tributária também teriam sido utilizados no esquema.

Conforme o MPSP, um dos grupos investigados em Londrina possui ligação com o advogado Nelson Wilians, fundador de um dos maiores escritórios de advocacia do país, que também foi alvo de buscas nesta quarta-feira (15).

A Secretaria da Fazenda e Planejamento de São Paulo informou que já fiscalizou 752 empresas supostamente envolvidas. Os autos de infração lavrados até o momento indicam prejuízo superior a R$ 3,8 bilhões aos cofres públicos.

Além da perda de arrecadação, o Ministério Público sustenta que a fraude gerou concorrência desleal, já que empresas que utilizaram créditos tributários irregulares teriam reduzido artificialmente seus custos e obtido vantagem competitiva sobre concorrentes que recolhem os tributos de forma regular.

As investigações seguem em andamento para identificar todos os beneficiários econômicos do esquema e esclarecer a participação individual de cada investigado.