A arte de sobreviver: o caminho de Inglaterra e Argentina até a semifinal

Com campanhas marcadas por reviravoltas, Inglaterra e Argentina chegam à semifinal com o coração na ponta da chuteira

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A arte de sobreviver: o caminho de Inglaterra e Argentina até a semifinal
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Um clichê do esporte diz que "não há ganho sem dor" – uma verdade que persegue as campanhas de Inglaterra e Argentina na Copa do Mundo da FIFA 2026™. Para as duas equipes, chegar à semifinal foi um exercício de sobrevivência física e, acima de tudo, psicológica. Por isso, antes do histórico duelo desta quarta-feira (15) em Atlanta, é preciso olhar para as cicatrizes que as duas seleções acumularam no mata-mata até aqui.

Na maior Copa do Mundo de todos os tempos, enganou-se quem achou que as potências atropelariam os “azarões”.

Composition of England's Harry Kane on July 11, 2026 (L) and Argentina's Lionel Messi on July 3, 2026. (Photo by Roberto SCHMIDT and Chandan KHANNA / AFP via Getty Images)
Composition of England's Harry Kane on July 11, 2026 (L) and Argentina's Lionel Messi on July 3, 2026. (Photo by Roberto SCHMIDT and Chandan KHANNA / AFP via Getty Images)

A Inglaterra precisou sangrar para superar a RD do Congo na fase de 16-avos, o México nas oitavas de final e a Noruega nas quartas.

A Argentina transformou seus confrontos contra Cabo Verde, Egito e Suíça em verdadeiros testes de cardiologia para seus torcedores, sobrevivendo a prorrogações e cenários de pura pressão – até que foi criado um meme argentino de um convite de festa que diz “você está convidado para meu quarto ataque cardíaco” (a semifinal). "Essa é uma Copa do Mundo cheia de surpresas, com um monte de favoritos que ficam pelo caminho. É preciso sofrer até o final", resumiu o meio-campista argentino Rodrigo De Paul.

O curioso dessa coincidência dramática entre as duas seleções é que os treinadores não estão dispostos a romantizar a dificuldade. Após as quartas de final, tanto Thomas Tuchel quanto Lionel Scaloni foram críticos do desempenho de seus times.

Composition of England's coach Thomas Tuchel and Argentina's coach Lionel Scaloni on July, 2026. (Photo by Charly TRIBALLEAU and Odd ANDERSEN / AFP via Getty Images)
Composition of England's coach Thomas Tuchel and Argentina's coach Lionel Scaloni on July, 2026. (Photo by Charly TRIBALLEAU and Odd ANDERSEN / AFP via Getty Images)

 

Scaloni foi sincero após o triunfo argentino sobre os suíços: “Nós sofremos. Sabíamos que seria um jogo difícil e não fomos capazes de sair de certas situações. A sorte esteve conosco. É preciso ser realista, temos coisas para melhorar”.

O mesmo tom de alerta ecoou do lado europeu na voz de Tuchel, que espera que a Inglaterra suba alguns degraus se quiser reconquistar o mundo depois de 60 anos: “Não fiquei muito satisfeito com a atuação. O nosso comprometimento estava ali, mas nós dificultamos muito a nossa própria vida. Tivemos sorte e mentalidade, mas temos uma questão com a qualidade da nossa atuação. Precisamos e vamos jogar melhor”.

England's Harry Kane and Jude Bellingham celebrate on July 01, 2026. (Photo by Ian MacNicol/Getty Images)
England's Harry Kane and Jude Bellingham celebrate on July 01, 2026. (Photo by Ian MacNicol/Getty Images)

A visão de Harry Kane sobre isso é positiva. “Se estamos em uma semifinal de Mundial e ainda temos como melhorar, podemos ver isso como algo bom”, disse o goleador.

 

Por outro lado, Inglaterra e Argentina mostram virtudes em como sobreviver ao caos e responder à pressão com coragem. No fim, é evidente que o “coração” tem entrado em campo – simbolizado pelo canto de “Wonderwall” dos ingleses com a torcida após cada vitória e no choro copioso de Lionel Messi depois do triunfo sobre o Egito nas oitavas de final. É essa combinação que torna esse embate de semifinal tão imprevisível.

 
 
 
 
 

O coração e a técnica podem atuar juntos, como é o caso do craque resiliente Jude Bellingham. “Lutamos em 90 ou 120 minutos ou mais. Uma coisa é ter qualidade, e todo esse elenco tem, mas vocês não sabem quanta mentalidade e quanto coração é preciso ter em situações como essa. O jogo tem muitas facetas. O aspecto técnico importa, mas para mim o mais importante é o psicológico e como você lida com adversidade. Esse time mostrou mais uma vez que pode fazer isso”, disse o decisivo camisa 10 da Inglaterra.

 

A capacidade de operar no limite também está no DNA da Argentina, liderada por um Messi que, mesmo após ganhar tudo, recusa-se a aceitar o comodismo. "Esse elenco compete e nunca deixa de insistir, de querer mais. Não é normal o que faz esse grupo: ser campeão do mundo, ganhar duas vezes a Copa América e voltar a estar em uma semifinal de Mundial", afirmou o astro, que enfrentará a Inglaterra pela primeira vez na carreira.

ATLANTA, GEORGIA - JULY 07: Lionel Messi #10 of Argentina celebrates after the 3-2 victory during the FIFA World Cup 2026 Round of 16 match between Argentina and Egypt at Atlanta Stadium on July 07, 2026 in Atlanta, Georgia. (Photo by Patrick Smith - FIFA/FIFA via Getty Images)
ATLANTA, GEORGIA - JULY 07: Lionel Messi #10 of Argentina celebrates after the 3-2 victory during the FIFA World Cup 2026 Round of 16 match between Argentina and Egypt at Atlanta Stadium on July 07, 2026 in Atlanta, Georgia. (Photo by Patrick Smith - FIFA/FIFA via Getty Images)

Com tantas reviravoltas e prorrogações no caminho, o aspecto físico dos dois times tem sido testado ao extremo, mas a vaga na final pode ser decidida na mente. Afinal, como explicou o atacante argentino Flaco Lopez: “Quando as pernas não respondem, nós olhamos para a torcida, e o coração bate um pouquinho mais e nos dá energia.”


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