Mandante de ataque com soda cáustica contra ex é condenado a mais de 23 anos de prisão
Vítima sofreu graves queimaduras no rosto após ser atacada ao sair da academia; Justiça reconheceu tentativa de feminicídio
O Tribunal do Júri de Jacarezinho, no Norte Pioneiro do Paraná, condenou a 23 anos e 3 meses de prisão, em regime inicial fechado, o homem apontado pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) como mandante do atentado com soda cáustica contra a ex-namorada. O crime ocorreu em maio de 2024 e deixou a vítima com graves lesões, principalmente no rosto.
De acordo com a denúncia da 3ª Promotoria de Justiça de Jacarezinho, o condenado planejou o ataque e determinou que sua companheira na época executasse a ação. A mulher teria arremessado uma substância corrosiva à base de hidróxido de sódio, conhecida como soda cáustica, contra a vítima no momento em que ela saía de uma academia.
O julgamento começou na manhã de segunda-feira (08/06) e só foi concluído na noite de terça-feira (09/06), com a leitura da sentença. Durante a sessão, o Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses apresentadas pelo Ministério Público e reconheceu as quatro qualificadoras atribuídas ao crime: feminicídio, motivo torpe, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima.
Além da pena de prisão, a Justiça determinou o pagamento de indenização mínima de R$ 50 mil à vítima pelos danos causados. O réu, que já estava preso preventivamente, permanecerá encarcerado para cumprimento da pena.
Segundo as investigações, o ataque foi motivado pelo inconformismo do homem com o fim do relacionamento. A vítima foi surpreendida pela agressora quando deixava uma academia em Jacarezinho e sofreu queimaduras graves após ser atingida pela substância química.
A mulher acusada de executar o crime também estava sendo julgada, mas a sessão foi interrompida após o abandono do plenário por parte da defesa durante o segundo dia de julgamento. Diante da situação, o processo foi suspenso e uma nova data será marcada pelo Poder Judiciário.
O Ministério Público requereu a apuração das circunstâncias que levaram à interrupção do júri, além da adoção de medidas para garantir a realização do novo julgamento. A acusada segue presa e responderá pela participação no atentado.
Para o MPPR, a condenação representa o reconhecimento da gravidade do crime e da tentativa de feminicídio praticada de forma premeditada contra a vítima.