Pressão por cassação de Lorens cresce na Câmara após vídeo de suposta 'rachadinha'
Reprodução/RPC TV
A possibilidade de cassação do vereador Lórens Nogueira ganhou força nos bastidores da Câmara Municipal de Curitiba após a divulgação do vídeo em que o parlamentar aparece recebendo dinheiro vivo, supostamente ligado a um esquema de rachadinha no gabinete. A avaliação entre vereadores é de que a gravação e a proximidade das eleições de 2026 aumentaram significativamente o desgaste político do caso e dificultam qualquer tentativa de blindagem ao parlamentar.
A crise avançou rapidamente dentro da Casa. Dias após a operação do Gaeco e a divulgação das imagens, Lórens deixou a presidência do Conselho de Ética, cargo que passou a ser ocupado pelo vereador Hernani. Desde então, o parlamentar praticamente desapareceu das sessões plenárias, ampliando ainda mais a pressão nos corredores do Legislativo.
A representação contra o vereador tramitou em ritmo acelerado e já será analisada pelo plenário na segunda-feira (1º/06), quando os vereadores decidirão sobre a admissibilidade da denúncia. Caso o processo seja aceito, será aberta uma investigação com prazo de até 90 dias para conclusão.
Nos bastidores, o entendimento é de que o calendário eleitoral pesa diretamente na condução do caso. Muitos vereadores pretendem disputar vagas na Assembleia Legislativa do Paraná ou na Câmara dos Deputados em 2026 e avaliam que uma eventual omissão diante das denúncias pode gerar desgaste junto ao eleitorado.
O episódio também provocou um raro alinhamento entre grupos políticos opostos na Câmara. Parlamentares ligados à direita e à esquerda passaram a defender publicamente a cassação de Lórens. Vereadores do Novo, ao lado de Eder Borges e Bruno Secco, divulgaram vídeos cobrando punição ao colega de Legislativo. Já a bancada de oposição ao prefeito Eduardo Pimentel, formada por vereadores do PT, PSB e PSOL, também passou a defender a perda do mandato.
A expectativa agora gira em torno da votação da próxima semana, que poderá abrir oficialmente o processo político-disciplinar contra o vereador investigado.