Homem com câncer organiza o próprio velório e celebra a vida restante; veja onde
Evento reunirá amigos, música e histórias em Campo Grande; protagonista estará presente na própria homenagem
Renan Heimbach/ Reprodução Arquivo Pessoal
Um caso incomum e carregado de simbolismo chama atenção em Campo Grande-MS: o empresário Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, diagnosticado com câncer terminal, decidiu organizar o próprio velório — ainda em vida. O evento está marcado para o dia 30 de maio, em uma cervejaria da cidade, e deve reunir amigos, familiares e até desconhecidos em uma espécie de despedida coletiva, mas com o homenageado presente. A proposta foge do ritual tradicional. Em vez do silêncio típico das cerimônias fúnebres, a programação inclui música ao vivo, rodas de samba, apresentações de bandas e um repertório que atravessa diferentes estilos — da bossa nova ao rock. O próprio Tiago pretende subir ao palco e tocar guitarra, instrumento que começou a aprender após o agravamento da doença. O diagnóstico veio em 2024, após meses de sintomas e exames. Tiago descobriu um adenocarcinoma gástrico, tipo agressivo de câncer no estômago. Durante a cirurgia, médicos identificaram metástases, o que inviabilizou a retirada do tumor e confirmou o estágio avançado da doença. Nos meses seguintes, o quadro se agravou. Ele perdeu mais de 20 quilos, teve a capacidade pulmonar reduzida e passou a enfrentar limitações físicas decorrentes do tratamento, como neuropatia e dificuldades de locomoção. Diante da progressão da doença, decidiu antecipar a despedida. A ideia de realizar o próprio velório surgiu após a morte do pai, em 2024. Na ocasião, Tiago percebeu que, embora o momento tenha reunido pessoas queridas e boas histórias, faltava justamente o protagonista da homenagem. Agora, quer inverter essa lógica. A proposta é simples: reunir pessoas importantes em um ambiente leve, onde memórias possam ser compartilhadas com quem ainda está presente. “É um encontro em que ninguém precisa ir embora — nem eu”, resumiu.
O caso repercute por romper com convenções e propor uma reflexão sobre despedidas, memória e a forma como a vida é celebrada até o fim.