A volta da Artemis à Terra; veja o passo a passo da nave da Nasa
Em exatos 13 minutos, a cápsula Orion sai do espaço, atravessa a atmosfera e pousa no oceano
NASA
Às 21h07 desta sexta-feira (10/04), a cápsula pousou no oceano Pacífico, na costa de San Diego, nos Estados Unidos. Assim, a tripulação da missão Artemis 2 está de volta à Terra após uma viagem histórica de nove dias ao redor da Lua, que levou astronautas à maior distância já registrada em um voo tripulado.
A Orion viajava a mais de 38.600 km/h quando atingiu a atmosfera superior da Terra, e seu escudo térmico foi submetido a temperaturas equivalentes à metade da temperatura da superfície do Sol.
A missão Artemis II entra em sua fase mais crítica com a reentrada da cápsula Orion na Terra, um processo que dura cerca de 13 minutos e reúne algumas das etapas mais complexas da engenharia espacial — da saída do espaço até o pouso no oceano.
O primeiro passo ocorre ainda fora da atmosfera. Cerca de 20 minutos antes da reentrada, o módulo de serviço — responsável por energia e propulsão — é descartado. Em seguida, a cápsula realiza uma queima de motores para ajustar com precisão o ângulo de entrada. Esse cálculo é decisivo: uma inclinação incorreta pode causar superaquecimento ou até fazer a nave “quicar” de volta ao espaço.
A partir de aproximadamente 122 quilômetros de altitude, a Orion atinge a chamada “interface de entrada”, iniciando efetivamente a reentrada. Nesse ponto, a cápsula viaja a mais de 40 mil km/h e começa a interagir com as primeiras camadas da atmosfera, dando início à desaceleração.
Com o aumento da densidade do ar, o atrito passa a atuar como principal freio. O formato da cápsula, projetado para gerar arrasto, acelera a perda de velocidade, enquanto o escudo térmico enfrenta temperaturas superiores a 2.700 °C. O calor intenso ioniza os gases ao redor da nave, formando um plasma.
Esse fenômeno provoca um dos momentos mais tensos da missão: o blackout de comunicação. Durante cerca de seis minutos, a cápsula fica sem contato com a Terra, operando de forma totalmente autônoma.
Ao mesmo tempo, os astronautas enfrentam forças de até 3,9 vezes a gravidade, resultado da desaceleração brusca. A trajetória é calculada para distribuir esse impacto e garantir a segurança da tripulação.
Com a velocidade já reduzida, a Orion entra na fase final da descida. A cerca de 6,7 quilômetros de altitude, são abertos os paraquedas de estabilização. Logo depois, a aproximadamente 1,8 quilômetro, entram em ação os três paraquedas principais, que diminuem a velocidade para cerca de 32 km/h.
O pouso ocorre no Oceano Pacífico, em procedimento conhecido como splashdown. Apesar de controlado, o impacto ainda é significativo, mas dentro dos limites de segurança previstos.
Após a amerissagem, equipes de resgate da NASA e das forças armadas dos Estados Unidos iniciam a operação de recuperação. A cápsula é estabilizada e os astronautas são retirados, geralmente cerca de duas horas depois, sendo levados de helicóptero até um navio de apoio, onde passam por avaliação médica inicial antes do retorno ao Centro Espacial Johnson, no Texas.