MP investiga show de dupla sertaneja encomendado por deputado do Paraná

Diferença entre cachês pagos pela mesma apresentação em cidades vizinhas alerta sobre superfaturamento

Por Da Editoria-
3 Min

MP investiga show de dupla sertaneja encomendado por deputado do Paraná
Divulgação/PMR Arquivo

O Ministério Público do Paraná instaurou um inquérito civil para apurar a contratação de uma dupla sertaneja pela Prefeitura de Primeiro de Maio, no valor de R$ 50 mil. A apuração foi aberta após denúncia que aponta possível superfaturamento e favorecimento político, já que a mesma apresentação havia sido contratada por R$ 15,5 mil em Ibiporã, município vizinho, apenas um mês antes.

A investigação também analisa se o evento foi utilizado para promoção pessoal do deputado estadual Devanil Reginaldo da Silva, o Cobra Repórter (PSD). Ele é pai de Gabriel, integrante da dupla e titular da empresa contratada, a G.A. Gonçalves Silva Shows e Eventos (CNPJ 34.118.003/0001-46).

Em Primeiro de Maio, a contratação ocorreu por inexigibilidade de licitação (nº 39/2025), sob o argumento de exclusividade artística. O contrato de R$ 50 mil foi firmado em 3 de julho de 2025 para a apresentação na 1ª Agro Fest, realizada no dia 12. Já em Ibiporã, o contrato foi assinado em 11 de junho, para show na 47ª Festa Junina Municipal, com custo de R$ 15.500,00.

Segundo relatório preliminar do Ministério Público, a diferença de R$ 34,5 mil entre os contratos “extrapola qualquer margem razoável de negociação”, considerando que ambos os municípios são geograficamente próximos, possuem perfil socioeconômico semelhante e contrataram a mesma dupla, pela mesma empresa, em um intervalo de 30 dias. Até o momento, não foram apresentadas justificativas técnicas ou mercadológicas para a discrepância.

O procedimento tramita sob o número 0115.25.000265-2. O MP solicitou ao CAEX (Centro de Apoio Operacional das Promotorias) análise técnica sobre possível sobrepreço e encaminhou ofícios ao Tribunal de Contas do Estado do Paraná. A apuração segue em andamento e pode resultar em responsabilização por improbidade administrativa e, conforme o desdobramento, implicações penais e político-administrativas.

A investigação também busca esclarecer se a 1ª Agro Fest, realizada nos dias 11 e 12 de julho, foi usada como palanque político. De acordo com a denúncia, o deputado teria se beneficiado da estrutura do evento, financiado com recursos públicos, para autopromoção, o que é vedado pela Constituição.

Procurado por meio de seu gabinete, o deputado Cobra Repórter não se manifestou. Em contato realizado ainda em julho, a assessoria informou que o setor jurídico retornaria, o que não ocorreu. Em nova tentativa, uma pessoa que se identificou como responsável pela área jurídica afirmou que o parlamentar ainda não foi oficialmente notificado pelo Ministério Público e que não comentará o caso até ser formalmente comunicado.


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