Com a missão de prestar atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência de forma ágil e qualificada, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi essencial nos primeiros momentos após o tornado que atingiu Rio Bonito do Iguaçu, na região Centro-Sul do Paraná. Graças à atuação coordenada das equipes, o serviço evitou o agravamento de casos, reduziu sequelas e salvou vidas.
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) conta hoje com 100% de cobertura do Samu em todo o Paraná. A base Regional Centro, sediada em Guarapuava e integrante da 5ª Regional de Saúde, foi a mais recente a entrar em operação, completando a rede estadual. “A base de Guarapuava foi inaugurada em 2022 com apoio do Governo do Estado e vem desempenhando um papel fundamental na região. Agora, foi decisiva para os trabalhos em Rio Bonito do Iguaçu”, destacou o secretário estadual da Saúde, Beto Preto.
Logo após a ocorrência, o Samu Regional Centro enviou quatro ambulâncias de suporte básico (com condutor e técnico de enfermagem) e duas de suporte avançado (com médico, enfermeiro e condutor), além de montar outras duas unidades de retaguarda. Cerca de 50 profissionais, entre condutores socorristas, médicos, técnicos de enfermagem, enfermeiros, farmacêuticos e coordenadores, foram mobilizados para prestar aproximadamente 85 atendimentos, entre casos primários e secundários. As equipes seguem de prontidão na região.
Um dos primeiros a atuar no socorro, o condutor socorrista Anderson Bender, que trabalha há três anos na base do Samu em Rio Bonito do Iguaçu, relatou que só agora, dias após o desastre, conseguiu compreender a dimensão da tragédia. “Foi tudo muito rápido. O tornado passou em poucos segundos, mas o que deixou para trás foi devastador”, disse.
Na sexta-feira (7), ele estava de plantão e, enquanto treinava um colega para substituí-lo nas férias, percebeu a formação dos ventos. “O barulho era muito forte. Quando entendemos que era mais do que um temporal, o tornado já havia passado e as pessoas começaram a pedir socorro”, contou. “Os feridos chegavam de todos os lados. Tivemos que fazer triagem e priorizar os casos mais graves. Foi desesperador.”
Mesmo com a própria casa danificada e sem conseguir contato com a família, Bender trabalhou até as 2h da madrugada. “Minha casa perdeu o telhado e a estrutura foi comprometida, mas meus familiares estão bem. Depois de tudo, isso é o que realmente importa”, afirmou.
Equipes do Samu de Cascavel também reforçaram o atendimento. “Fomos acionados por volta das 21h30 e enviamos seis ambulâncias — três de suporte básico e três de suporte avançado. Mobilizamos inclusive profissionais que estavam de folga”, relatou o enfermeiro coordenador da base, Adeilson Gustavo Pimentel dos Santos. Segundo ele, o cenário encontrado era desolador. “A cidade estava praticamente destruída, muita gente ferida. Mas o que mais chamou a atenção foi a união: havia muitas ambulâncias e profissionais trabalhando juntos para salvar vidas.”
Embora o Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste (Consamu) não integre oficialmente a rede da região, as equipes se somaram à força-tarefa diante da gravidade da situação. “Somos uma rede de atendimentos. Continuamos mobilizados e prontos para apoiar qualquer região do Estado”, completou Pimentel.
Situação hospitalar
De acordo com a Sesa, 21 pessoas seguem internadas em hospitais da região. Em Guarapuava, há 13 pacientes — seis no Hospital São Vicente de Paulo e sete no Hospital Santa Tereza. Em Laranjeiras do Sul, são cinco internados — dois no Hospital São Lucas e três no Instituto São José. Outras três pessoas permanecem no Hospital Universitário de Cascavel.
Os atendimentos hospitalares contam com o apoio de insumos e medicamentos enviados pela Secretaria no fim de semana, em uma operação emergencial coordenada pelo Centro de Medicamentos do Paraná (Cemepar) e pelo Centro de Operações de Medicamentos e Produtos (Comp).
Capacitação das equipes
Coincidentemente, um dia antes do tornado — na quinta-feira (6) — mais de 50 profissionais da 5ª Regional de Saúde participaram, em Guarapuava, do curso Sistema de Comando de Incidentes (SCI), oferecido pela Sesa em parceria com a Defesa Civil. A regional foi a primeira do Estado a receber a formação, que será estendida às demais unidades.