Paraná inaugura primeiro posto de biometano e avança na descarbonização da economia

Por AEN-
4 Min

Paraná inaugura primeiro posto de biometano e avança na descarbonização da economia
Reprodução/SUPEN

O Paraná deu mais um passo importante rumo à transição energética e à redução das emissões de carbono. Foi inaugurado nesta semana, em Ponta Grossa, o primeiro posto de combustíveis de biometano do Estado, resultado de políticas públicas voltadas à sustentabilidade. A iniciativa integra o projeto Corredores Sustentáveis, que prevê a utilização de energia limpa no transporte da produção paranaense até outros mercados.

O novo posto, considerado o maior do Brasil em capacidade de abastecimento de Gás Natural Veicular (GNV) em alta vazão, passa agora a ofertar também biometano como combustível. O produto tem origem na primeira refinaria do Estado, instalada em Ponta Grossa e abastecida pela Central de Tratamento de Resíduos do município.

Segundo o superintendente-geral de Gestão Energética, Sandro Vieira, a novidade representa um marco para a logística verde no Paraná.

“A inauguração deste posto de abastecimento de frotas pesadas em gás natural e biometano é fundamental para a descarbonização do transporte, pois conecta o ponto de distribuição ao gás canalizado da Compagas e ao biometano gerado a partir de resíduos urbanos”, destacou.

Corredores sustentáveis

O posto está localizado em uma rota estratégica que liga o Norte e o Centro do Estado ao Porto de Paranaguá, permitindo que caminhões de carga trafeguem com gás desde as regiões de Maringá e Londrina até o Litoral.

Para o coordenador de Gás, Biocombustíveis e Hidrogênio do Estado, Thiago Olinda, empreendimentos desse porte impulsionam a cadeia produtiva.

“Este é um projeto pioneiro, alinhado ao Plano Estadual de Biogás e Biometano. É a primeira refinaria a produzir o combustível a partir de um aterro sanitário no Paraná, o que fortalece a economia circular e a geração de energia limpa”, explicou.

Incentivos e indústria local

Projetos como esse foram viabilizados pelo decreto nº 9.817/2025, que concede isenção de ICMS para equipamentos destinados a biorrefinarias que produzam combustíveis sustentáveis, como biometano, biogás, metanol, CO₂ e SAF (Combustível Sustentável de Aviação). No caso de Ponta Grossa, os equipamentos de compressão e abastecimento foram produzidos por uma indústria paranaense, em Campo Largo.

A Secretaria do Planejamento (SEPL) e a Superintendência de Gestão Energética (SUPEN) seguem atuando para atrair novos investimentos ligados à transição energética, tanto para ampliar a oferta quanto para estimular a demanda por fontes renováveis.

Sustentabilidade e geração de oportunidades

A produção de biometano também tem papel estratégico no cuidado ambiental, ao transformar resíduos antes considerados dejetos em fonte energética. Esse processo contribui para a redução de emissões e atende a exigências internacionais relacionadas ao combate às mudanças climáticas, incluindo a certificação de créditos de carbono.

O secretário do Planejamento, Ulisses Maia, destacou os reflexos econômicos da iniciativa:

“Esse posto é mais um passo no plano de descarbonização do Paraná. Além de proteger o meio ambiente, gera empregos, movimenta a economia e cria condições para atrair grandes empresas que precisam cumprir metas de energia limpa”, afirmou.

Já o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca, ressaltou a dimensão social da inovação:

“O futuro sustentável não é promessa distante, está acontecendo agora. Com políticas públicas inteligentes, o Estado abre caminho para corredores de transporte limpo que levarão a produção paranaense para o Brasil e o mundo”, disse.

Biometano: energia limpa e versátil

O biometano pode substituir o diesel no transporte pesado e também abastecer veículos já adaptados ao GNV. Seu rendimento é equivalente ao do gás natural, mas sua origem é renovável, a partir de resíduos urbanos, rurais ou industriais que antes eram fontes de poluição.

Essa alternativa se integra ao Plano Estadual de Biogás e Biometano, que busca diversificar a matriz energética, ampliar o uso de recursos renováveis e otimizar a gestão de resíduos.

Meta de neutralidade de carbono

Todas essas iniciativas estão alinhadas ao Plano de Descarbonização da Economia Paranaense (PEDEP), que traça estratégias para conduzir o Estado a uma economia de baixo carbono até 2050. O plano reúne análises setoriais, cenários futuros e ações de longo prazo para tornar o Paraná referência em sustentabilidade no Brasil.


  • Ir para GoogleNews
Notícias Relacionadas »