Nos últimos anos, tem crescido muito o número de crianças e jovens que chegam ao consultório com diagnósticos de TDAH ou Autismo. Para muitas famílias, receber um diagnóstico traz alívio. Finalmente há um nome, uma explicação, um caminho possível de tratamento.
Dar nome ao sofrimento pode ser profundamente organizador.
Ao mesmo tempo, a experiência clínica mostra que o diagnóstico raramente esgota a compreensão do que aquela criança ou jovem está vivendo.
Por trás da dificuldade de atenção, da agitação, da dispersão ou do recolhimento excessivo, frequentemente encontramos histórias de sofrimento emocional, insegurança, medo, sobrecarga ou dificuldades precoces de adaptação ao mundo.
Em muitas crianças, a atenção difusa pode estar ligada a uma sensação constante de alerta — como se o ambiente precisasse ser monitorado o tempo todo. Em outras, o recolhimento e a dificuldade de lidar com as demandas externas podem funcionar como uma forma de proteção diante de situações vividas como excessivas ou difíceis de organizar internamente.
Essas respostas não são falhas de caráter nem escolhas conscientes. São, muitas vezes, estratégias de sobrevivência que surgem em um terreno já sensível e em sofrimento.
Isso não invalida os diagnósticos nem o cuidado médico. Pelo contrário: amplia o olhar.
Quando compreendemos a pessoa para além dos rótulos, abrimos espaço para um tratamento mais profundo e individualizado.
O objetivo não é retirar diagnósticos, mas evitar que eles se tornem o ponto final da compreensão. Eles podem ser o início de um caminho de cuidado mais amplo.